Latin Ncap e os últimos resultados (3ª parte)

Publicado: abril 5, 2012 em Uncategorized

Na terceira parte, mais resultados e mais surpresas no Latin Ncap

Na primeira parte, Ford Ka e Nissan March não tiveram bons resultados, sendo que a grande surpresa foi para o March, um carro moderno que já tinha obtido 4 estrelas no EuroNcap, uma verdadeira incógnita. Na segunda parte, Chevrolet Classic e o Chevrolet Celta também não apresentaram bons resultados, comparáveis ao Corsa Europeu de 1997.

Vale lembrar mais uma vez que a pontuação do Latin Ncap é resultante da leitura de sensores colocados nos bonecos, que procuram representar os ferimentos que motorista e passageiros teriam em um acidente. A deformação da carroceria não interfere com a pontuação, mas no entanto, uma  carroceria mal projetada não vai garantir a integridade do compartimento dos passageiros, fazendo com que painel e direção se aproximem dos passageiros, ou possam causar ferimentos. Para entender os resultados é preciso verificar a avaliação de cada parte do corpo dos bonecos e interpretar os ferimentos.

Os resultados surpreenderam de forma bastante negativa, e até possam ter causado uma certa incoerência, como foi o caso do Nissan March, o que poderia levantar algumas dúvidas em relação aos padrões adotados no teste, o que poderia explicar a diferença entre os resultados entre o March testado pelo EuroNcap e o March testado pelo LatinNcap, mas no entanto, essas diferenças não apareceram nos resultados do Nissan Tiida.

5. Nissan Tiida Hatch 2011

O LatinNcap testou dois modelos do Tiida, um com airbag apenas para o motorista, e outro com airbag para motorista e passageiro. Infelizmente o Tiida não foi testado pelo EuroNcap, mas por efeito de comparação os resultados podem ser comparados com o teste realizado pelo Ancap, a versão Australiana do EuroNcap, que testou o Tiida em 2006.

No teste realizado pelo LatinNcap, o Tiida nas duas versões apresentou uma deformação correta da estrutura da carroceria, com pouca deformação da coluna “A”, sendo que o teto também pouco se deformou, o que ajuda na integridade da cabine e proteção dos ocupantes.  Segundo a LatinNcap, o airbag protegeu a cabeça do motorista e passageiro nas versão de airbag duplo, mas na versão simples o passageiro sofreu com a desaceleração causada pela falta de air bag, oferecendo riscos médio ao pescoço e peito. Os dois modelos ofereceram riscos causados por estruturas na parte inferior do painel que poderiam causar ferimentos nos joelhos.

No geral os resultados foram iguais para o motorista, mas pior para o modelo sem airbag para o passageiro, o que explica a pontuação de 9,54 pontos e três estrelas  para o modelo de airbag simples, e 13,12 pontos e quatro estrelas para o modelo de airbag duplo.

Comparados ao teste realizado pelo Ancap, os três modelos obtiveram praticamente os mesmos resultados em termos de deformação da carroceria, sendo que o modelo australiano possuía airbag duplo e obteve as mesmas quatro estrelas e 12,22 pontos. Por comparação, o modelo australiano pesava 1160kg vazio, enquanto que o modelo testado pelo LatinNcap pesava 1448kg com todo o equipamento de teste. O Ancap não informa a origem do Tiida, enquanto que o modelo vendido no Brasil é feito no México, assim como o Nissan March. Aparentemente os dois modelos são idênticos no quesito segurança, e portanto seguem o mesmo padrão de construção. Fica a dúvida se a Nissan poderia fabricar o March de forma diferente em relação ao modelo vendido na Europa, o que poderia explicar o péssimo resultado, ainda mais levando em consideração os resultados no Tiida, mas é bom lembrar que o Tiida era vendido no mercado americano, onde os testes de impactos são rigorosos, já o March não.

6. Ford Focus Hatchback 2011 – Airbag duplo

Nem todas as surpresas foram ruins, e os resultados do Ford Focus foram justamente o contrário do que o Ford Ka apresentou, mas mesmo assim o Focus no LatinNcap também foi pior se comparado ao Focus testado pelo EuroNcap. A deformação da carroceria foi correta, mas no entanto o Focus Argentino obteve apenas 4 estrelas e 13,53 pontos contra 5 estrelas e 16 pontos do Focus Europeu.

É interessante ressaltar que o EuroNcap destaca o ótimo trabalho feito pela Ford para minimizar os ferimentos na região dos joelhos. Já o LatinNcap afirma que existem estruturas perigosas que podem causar ferimentos aos joelhos do motorista e passageiro.  Fica difícil entender como os dois modelos aparentemente iguais podem apresentar resultados diferentes.

7. Novo Fiat Uno sem air bag

Entre todos os resultados da segunda fase do LatinNcap, o Novo Uno foi sem dúvida uma das maiores surpresas ao apresentar apenas 1 estrela e uma pontuação baixa. A carroceria apresentou uma deformação correta na coluna “A”, e muito melhor se comparada a Celta, Classic e Ford Ka, e próximo ao Nissan March (4 estrelas no EuroNcap), mas mesmo assim o Novo Uno perdeu pontos devido aos ferimentos. Assim como o Nissan March, GM Classic e Celta, houve rompimento do assoalho causando ferimentos nos pés e membros inferiores do motorista.  De acordo com o Latin Ncap houve grande impacto da cabeça do motorista contra o volante e a proteção do tórax foi baixa, e parte inferior do painel possui estruturas que podem machucar os joelhos dos passageiros.

É claro que a versão com air bag teria resultados muito melhores, mas a julgar pela diferença entre as 4 estrelas do Nissan March no EuroNcap e apenas 2 no LatinNcap, fica difícil imaginar que mesmo com airbag o Novo Uno pudesse chegar perto das 4 estrelas. O principal motivo seria o rompimento do assoalho, um problema também presente no Nissan March. Segundo a Nissan, o March segue o mesmo padrão de construção em todas as fábricas, e portanto não deveria haver diferenças entre os resultados do EuroNcap e LatinNcap. Não deveria haver, mais houve, tanto para o March, quanto para o Focus.

Existe sim a possibilidade de haver diferenças entre os dois testes, mas de acordo com LatinNcap, os testes seguem a mesma metodologia do EuroNcap. Então como explicar a diferença dos resultados do Nissan March e Ford Focus? Poderia haver diferenças entre os modelos? Pode ser que sim, mas apenas os fabricantes poderiam saber ou uma análise mais profunda entre os modelos para apontar as diferenças e justificar os resultados.

No caso do Novo Uno fica difícil fazer comparações, mas o modelo tinha tudo para ir bem no LatinNcap. Fruto de uma plataforma moderna, a Fiat testou o modelo por milhões de quilômetros e horas de laboratórios resultando em uma carroceria com uma boa rigidez torcional. A própria arquitetura da carroceria com colunas largas garantiram a boa deformação da coluna “A” e teto, mas fica a duvida em relação a ruptura do assoalho. Vale destacar que durante o lançamento do Novo Uno no Brasil a Fiat destacava a modernidade da plataforma, e preocupação com a segurança. No vídeo da engenharia apresentado, o Novo Uno aparece em teste de impacto frontal nas instalações da IDIADA, onde são realizados testes para a LatinNcap. Nenhum outro fabricante tinha mostrado essa preocupação com um modelo fabricado no Brasil.

Fica difícil de acreditar que a Fiat não tivesse observado ou não tivesse conhecimento do problema de ruptura do assoalho. O crash test do Novo Uno é como aquele aluno que foi bem em todas as aulas, fez todas as lições de casa, se preparou muito bem para a prova, mas infelizmente no dia da prova foi mal. Assim como o March, talvez somente a Nissan ou a Fiat possam explicar o motivo do rompimento do assoalho e melhorar seus carros. No caso da Fiat, a atenção deveria ser maior já que o Novo Palio compartilha parte da plataforma com o Novo Uno, e os resultados no Novo Palio poderiam ser tão ruim quanto o Novo Uno. Resta esperar para o LatinNcap testar e observar se o Novo Palio poderia apresentar os mesmos problemas de assoalho. Fica a dúvida.

veja também:

Latin Ncap e os últimos resultados (1ª parte)

Latin Ncap e os últimos resultados (2ª parte)

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comentários
  1. Márcio Schneider disse:

    É importante lembrar do fato da maioria dos veículos fabricados no Brasil ainda não utilizarem os achamados aços de alta resistência, com boro e outros componentes na sua composição. Existem relatos de executivos de metalúrgicas fornecedoras de chapas para o mercado brasileiro que há resistência dos fabricantes em aumentar o uso desse aço. A tropicalização dos projetos europeus, além daqueles projetados nos EUA e Coréia, envolve a substituição de chapas de reforço feitas de aços de alta resistência de vários tipos para aço carbono comum, de menor resistência. Isso pode explicar o menos desempenho de todos os modelos testados no LatinNCAP, bem como a ruptura do assoalho do Novo Uno.

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